O bandidismo anda à solta no dirigismo desportivo

Zeferino Boal

Num ano em que a solidariedade humana e a compreensão entre os cidadãos deveriam prevalecer, seja qual for a sua origem clubística, bastou haver uma abertura no confinamento, para termos conflitos antigos e latentes ressurgirem no tempo errado e sem razão.

Entendemos que o país tem os dirigentes desportivos que a sociedade merece. Existem poucos com capacidade aglutinadora e capazes de liderar uma mudança, não só na sua própria “bancada”, mas acima de tudo na cultura desportiva de forma geral. Mas os governantes de conveniência têm muita responsabilidade porque recorrem ao desporto quando dá jeito e votos, e relegam para as catacumbas quando por algum motivo têm que apoiar o deporto para salvar instituições ou acima de tudo profissionais da atividade desportiva no seu todo.

Os dirigentes do futebol entretém-se aos insultos, mesmo num começo de época em que há falta de emoção na competição desportiva e há um risco pela sobrevivência de inúmeras instituições desportivas. Não concebemos que os dirigentes num período destes procurem reacender litígios, que não tem coragem “face to face” ao recorrer aos meios de comunicação social, ávidos por notícias sanguinárias para os adeptos.

Temos consciência que a justiça portuguesa tarda a dignificar o seu símbolo equilibrado. Esteve mal no passado porque não condenou tudo que foi real no famoso “apito dourado”, do mesmo modo, não condenam nos tempos atuais a promiscuidade mais escondida para rezar missas que influenciaram resultados desportivos.

São decisões desta natureza que nos fazem constatar que há bandidos no desporto e em particular no futebol. Realça igualmente a necessidade de uma nova ordem social, também nesta atividade.

Não somos eternos para estarmos vivos e daqui a cinquenta anos se descobrir os poderes obscuros dos bastidores, por isto sim, alguns dirigentes ainda estagiários na função deveriam erguer a sua voz para denunciar. Talvez, não possam porque enquanto cidadãos e em especial na sua carreira profissional também têm algo esconder.

Tenhamos esperança de que na era pós-covid, devido às fragilidades associativas, todos sejamos chamados a banir do desporto, e em especial do futebol, bandidos que proliferam na arte desportiva.

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